A Sociedade do Anel deu lugar a uma nova etapa da aventura, e As Duas Torres marcaram o momento em que a jornada se transformou em uma guerra épica. A segunda parte da trilogia de O Senhor dos Anéis, dirigida por Peter Jackson, representou um desafio monumental para a equipe, que enfrentou inúmeras dificuldades durante a produção. A batalha no Abismo de Helm foi o ponto alto dessa complexa produção, um esforço que exigiu dedicação e criatividade de todos os envolvidos.
Originalmente, J.R.R. Tolkien havia concebido O Senhor dos Anéis como uma obra única, uma história monumental que deveria ser lida como um todo. No entanto, devido ao tamanho e ao custo de impressão, a obra foi dividida em três partes, o que nunca agradou ao autor. Cada parte recebeu um título, e embora A Sociedade do Anel fosse um título apropriado, O Retorno do Rei era um título que Tolkien detestava, pois sentia que revelava o final da história. Ele teria preferido chamar a terceira parte de A Guerra do Anel, mas os editores o desaconselharam. Já As Duas Torres apresentaram um desafio interessante, pois Tolkien nunca esclareceu a que duas torres se referia. Peter Jackson e sua equipe tiveram que tomar uma decisão clara para o espectador e definiram as Duas Torres como Orthanc, a fortaleza de Saruman em Isengard, e Barad-dûr, a torre sombria de Sauron em Mordor, simplificando o conflito e tornando-o mais visual.
A segunda parte de O Senhor dos Anéis também apresentou um personagem fundamental: Gollum. Sua aparição era crucial para os fãs, e se a equipe não conseguisse fazer com que funcionasse, não apenas a segunda parte, mas também a terceira, seriam afetadas. Foram necessários mais de 200 desenhos, uma centena de esculturas e testes digitais até encontrar a forma adequada para Gollum. A inspiração para sua musculatura veio de Iggy Pop, buscando uma magreza fibrosa. No entanto, a grande descoberta não foi visual, mas humana. Andy Serkis foi ao casting apenas para dar voz a Gollum, mas quando a equipe viu a expressão facial que ele usava para fazer a voz, ficou claro que não podiam separar a voz da interpretação física.
A adaptação de Gollum foi um desafio, pois a equipe já havia criado o personagem, e adaptar os gestos de Serkis significaria mais trabalho. No entanto, a equipe pensou que valia a pena e adicionou dois meses ao processo de preparação para que tudo se encaixasse. O resultado foi histórico: pela primeira vez, o cinema mostrou um personagem digital com uma interpretação humana plenamente reconhecível. Gollum não era apenas um efeito especial, era um ser com alma.
Outro desafio foi adaptar a estrutura do livro, que dedicava metade da história a Frodo e Sam e a outra metade aos demais personagens. Do ponto de vista cinematográfico, isso não fazia muito sentido, então Jackson e sua equipe tiveram que encontrar uma maneira de desenvolver seu próprio roteiro. Isso levou a mudanças, como a transferência da parte de Laracna para O Retorno do Rei. A razão foi que não podiam ter duas cenas climáticas intercalando uma com a outra, pois o Abismo de Helm e Laracna exigiam do espectador uma enorme carga emocional, e se os juntassem, um dos dois perderia força. Portanto, decidiram que As Duas Torres deveriam girar em torno de um único clímax: a batalha do Abismo de Helm.
As filmagens do Abismo de Helm foram tão épicas quanto o que vemos na tela. Foram necessárias 120 noites de filmagem, sob chuva constante e temperaturas congelantes. Foi um trabalho física e mentalmente exaustivo, com centenas de figurantes fantasiados de uruk-hai, dublês repetindo quedas uma e outra vez, e atores principais trabalhando até a exaustão. A experiência foi tão intensa que, quando acabou, a equipe fez camisetas para todos os que estiveram lá com as palavras impressas: “Sobrevivi ao Abismo de Helm”. Foi um desafio difícil, mas todos se lembram como se fosse um macabro acampamento de verão.













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