A aguardada adaptação de Frankenstein, dirigida pelo renomado cineasta Guillermo del Toro, finalmente chegou à Netflix. Essa nova versão da clássica obra de Mary Shelley apresenta Jacob Elordi como a Criatura e Oscar Isaac como o atormentado Victor Frankenstein.
Em uma conversa exclusiva com o AdoroCinema, o diretor e os atores principais compartilharam suas experiências e insights sobre o processo de criação dos personagens, os temas abordados no filme e os desafios enfrentados durante a produção. Quando questionado sobre a presença de elementos freudianos na história, especialmente a complexa relação entre pai e filho, del Toro revelou que sua própria vida foi uma maior influência do que teorias psicanalíticas. “Acho que isso foi mais influenciado por minha relação com meu pai e meus filhos do que por Freud. O pai é uma figura que projeta uma sombra, mesmo que seja um pai amoroso. Se não tomarmos consciência disso, podemos acabar passando adiante crenças e ações que julgamos benéficas, mas que, na verdade, podem ser prejudiciais.” Del Toro também brincou sobre a possibilidade de Freud não ter problemas com ele, considerando-se uma pessoa de fácil compreensão.
Oscar Isaac expressou sua surpresa com o estilo de trabalho de del Toro, que imaginava ser extremamente controlado devido ao seu estilo visual detalhista. “Pensei que seria como um boneco nas mãos dele, sabe? Imaginei que o processo seria muito rígido, pois tudo é tão preciso. No entanto, acabou sendo um experimento livre e criativo.” Isaac acredita que o amor de del Toro pelo projeto permitiu que o diretor não sufocasse a criação, deixando-a respirar livremente.
Quando questionado sobre o impacto do filme no público jovem, Elordi expressou sua esperança de que a audiência consiga enxergar a humanidade na Criatura. “Espero que as pessoas sintam empatia. Todos nascemos como essa Criatura, sem consciência, e espero que o final do filme, que Guillermo construiu, permita que elas olhem para o mundo ao seu redor e vejam a crueldade e a sujeira, mas também percebam que há uma razão para seguir em frente, porque é a única coisa que podemos fazer.”
Para interpretar a Criatura, Elordi trabalhou a dualidade emocional inspirando-se na dança japonesa butoh, sugerida por del Toro. “Você transita por estados emocionais como se fossem elementos, fazendo transições suaves e naturais.” Já Isaac destacou a construção psicológica de Victor Frankenstein, ressaltando que sua essência permanece estática. “Ele não se transforma. Ele continua sendo a criança ferida. Em qualquer reação dele, ele ainda tem nove anos de idade.” Segundo o ator, apenas no final do filme Victor assume o papel de pai, criando um contraste essencial para sua jornada. Ele também refletiu sobre o simbolismo de ser, simultaneamente, criador e criatura. “Temos a capacidade de ser as duas coisas o tempo todo. Muitas vezes, interpretei que a criatura e Victor são a mesma pessoa, o ‘eu sombra’ e o ‘eu consciente’ se chocando nesse espaço psicológico onírico.”
Del Toro também destacou a importância do momento exato de mostrar a Criatura ao público. “A chave da revelação é mostrar somente aquilo que o público não aguenta mais esperar para ver. Se você revela cedo demais, eles não se importam; se revela tarde demais, eles se cansam. Então, você tem que ser lúdico e encontrar o momento perfeito.” Frankenstein já está disponível na Netflix, oferecendo uma nova perspectiva sobre a clássica história de Mary Shelley.













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